1 Verifique a idade do quadro eléctrico
Quadros com fusíveis de porcelana ou alumínio são pré-1985 — muito comuns em prédios antigos do Porto. Não cumprem as normas actuais (RTIEBT). Substituição custa €600-1500.
Vai comprar casa ou apartamento no Porto, Matosinhos, Gaia ou Maia? A instalação eléctrica é um dos pontos mais ignorados — e dos mais caros se houver problemas. Aqui está o checklist que recomendamos antes de fechar a compra, sobretudo em prédios antigos.
Quadros com fusíveis de porcelana ou alumínio são pré-1985 — muito comuns em prédios antigos do Porto. Não cumprem as normas actuais (RTIEBT). Substituição custa €600-1500.
Peça a ficha eletrotécnica ou o projeto e os termos de responsabilidade, se existirem (em casas antigas pode ainda haver um certificado da antiga CERTIEL). Não são obrigatórios para vender, mas dizem em que estado a instalação foi declarada. Se a casa esteve desligada muito tempo, vão ser pedidos para voltar a ligar a energia com contrato novo.
Apartamentos antigos têm 1-2 tomadas por divisão. Casas modernas exigem 4-6 (cozinha 8+). Cada ponto adicional custa €40-80 instalado.
Obrigatório desde 1985. Sem RCD não há protecção contra choque eléctrico. Instalação posterior custa €150-300.
Cabos castanhos, frágeis ou com isolamento rachado indicam instalação muito antiga — frequente na reabilitação de prédios do centro. Re-cablagem completa custa €3000-8000 numa moradia média.
Prédios antigos frequentemente não têm ligação à terra. Sem ela, electrodomésticos modernos podem dar choque. Instalação custa €200-500.
Se tem (ou vai ter) carro elétrico, verifique se há lugar de garagem e se o quadro suporta um wallbox. Instalação típica €500-1200; em condomínio pode exigir autorização.
Pontos eléctricos exteriores (varanda, jardim, garagem) devem ter protecção IP65+ e diferencial dedicado. Adaptações custam €300-1000.
Se a casa foi construída ou remodelada com licenciamento, existe documentação da instalação eléctrica. Pedi-la antes da escritura custa nada e diz-lhe se a instalação foi certificada e quando. A ausência do documento não é impeditiva, mas é informação: significa que vai comprar sem saber o estado real da instalação, e que se algum dia precisar de contrato novo ou de aumento de potência terá de certificar.
Não é preciso ser electricista. Primeiro: há fusíveis de porcelana? Se sim, a instalação é antiga e vai precisar de intervenção. Segundo: existe um aparelho com botão de teste, normalmente marcado com T? É o diferencial, e se não existir, a casa não tem a protecção principal. Terceiro: há espaço livre no quadro? Sem espaço, qualquer ampliação futura — indução, ar condicionado, carro eléctrico — implica quadro novo.
Olhe para uma tomada: tem os contactos laterais metálicos de terra? Em casas anteriores aos anos 80 é frequente não terem, e isso não se resolve trocando a tomada — implica cabo novo em todos os circuitos. É das correcções mais caras que uma casa pode precisar, e é exactamente o tipo de informação que deve entrar na negociação do preço, e não aparecer um mês depois da mudança.
A potência contratada actual diz-lhe o que a casa suporta hoje. Se pensa instalar placa de indução, ar condicionado ou carregar um carro eléctrico, some: é frequente descobrir que a instalação não aguenta o conjunto, e isso implica quadro, cabo de alimentação e nova certificação. Saber isto antes de comprar transforma uma surpresa num número que entra na conta da remodelação.
Uma casa dos anos 70 ou 80 foi projectada para um consumo eléctrico que já não existe: duas tomadas por quarto, uma na sala, uma na cozinha para o frigorífico. Hoje somam-se televisão, router, consolas, carregadores, aspirador robô e uma cozinha com cinco eletrodomésticos fixos. Contar tomadas parece trivial e é uma boa aproximação ao custo de tornar a casa habitável à maneira actual — porque cada tomada em falta é cabo novo, não é um mecanismo.
Dentro da fracção pode estar tudo impecável e o problema estar na parte comum. A coluna montante é o que traz energia desde a entrada do prédio até cada fracção, e num edifício antigo é frequentemente o elemento mais envelhecido de toda a instalação. Renová-la é decisão de condomínio e é cara. Saber o estado dela antes de comprar é saber se há uma derrama à espera daqui a dois anos.
A terra é o que faz o diferencial funcionar, e não se vê. Numa moradia deve existir um eléctrodo enterrado, normalmente com uma caixa de inspecção acessível. Pergunte se existe e se alguma vez foi medido: uma terra com valor alto — muito comum em terreno rochoso ou seco — dá a mesma sensação de segurança de uma boa, sem a proporcionar. É uma verificação de meia hora que muda o que se deve negociar no preço.
Numa visita normal a casa esta com as luzes acesas e pouco mais. Pedir para ligar ao mesmo tempo o forno, a placa, a maquina de lavar e o ar condicionado e um teste de cinco minutos que diz muito: se o disjuntor geral saltar, a instalacao ou a potencia contratada nao dao para o uso que voce vai fazer. E informacao que entra na negociacao do preco, e nao numa surpresa no primeiro mes.
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